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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Aniversário

Ontem fez anos Alda do Espírito Santo, uma das mais conhecidas poetisas da África Lusófona. Para além da sua escrita ela teve igualmente um importante papel no período pré e pós independência, tendo chegado a desempenhar o papel de Ministra da Educação e Cultura. É também a autora da letra do hino nacional.
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Actualmente, no alto dos seus 82 anos, ela surge como talvez o mais importante referente cultural das ilhas e verdadeiro monumento vivo. Não sendo propriamente apreciador da generalidade da sua poesia (embora goste, por exemplo, do poema que aqui trago), é interessante ver e estar com Alda do Espírito Santo. Como ontem no Liceu Nacional, onde se encontrou com alunos, compartilhando a sua boa disposição e demonstrando uma surpreendente empatia com os jovens que, em sua homenagem, musicaram um dos seus poemas.

Para saber e ler mais sobre Alda do Espírito Santo passe por aqui.

Lá no Água Grande

Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.

As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Léve-léve


São alguns os produtos típicos de São Tomé e Príncipe. Podemos falar do café ou do cacau. Ou das flores típicas como o bico-de-papagaio. Ou ainda dos frutos como o safú, a manga ou a banana. Ainda assim, quem já passou pelas ilhas maravilhosas sabe bem que nada é mais típico em São Tomé do que o léve-léve.
juhiugugug
Como traduzir o léve-léve? Digamos antes de mais que se trata de uma condição sine qua non para se viver em São Tomé. Tudo se desenvolve ao ritmo do léve-léve (para desespero, muitas das vezes, dos estrangeiros e alguns são-tomenses habituados a outros ritmos).
fwfsfsdfgsfs
O tempo na linha do Equador não corre como noutros sítios, alonga-se, espreguiça-se e bronzeia-se à luz e calor tropicais. Quase nada se faz e quase tudo se vai fazendo. Deste modo, quando falamos de léve-léve, falamos de um modo de estar mas, acima de tudo, de um modo de ser.
gfrgrsrre
Neste sentido tratar de um documento numa qualquer repartição pode quase tornar-se uma experiência kafkiana. Os pratos típicos levam longas e infinitas horas a ganharem aquele gosto tão especial. As reuniões começam quando deus quiser...
dfdfdfdfd
O léve-léve apresenta igualmente um forte carga de resignação. Perante as agruras e dificuldades destas gentes a sua resposta é quase sempre a mesma: "Como está? - Léve-léve só!". Ou como diria Sérgio Godinho, cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas...
fggfgfw
Toda esta conversa está ligada ao lançamento do último disco de Kalú Mendes, artista são-tomense, que se intitula exactamente "Léve-léve". A música que dá título ao álbum tem letra de Alda do Espírito Santo, poeta e uma das mais reconhecidas escritoras dos PALOP. Nesta música salienta-se que léve-léve não é desculpa para, literalmente, se ficar sentado à sombra da bananeira!
cccc
Mas nada melhor do que ouvirem em estreia (quase) mundial.
oiyioyoi