terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A minha licença dava um filme ou, pelo menos, um pequeno trailler...

Como sabem (ou talvez não...) sou o feliz proprietário de um motociclo amarelo. Isto apesar dos não poucos problemas mecânicos, com troca de peças incluídas, que já suscitou. Também não é novidade para os que me costumam ler, ou para aqueles que já vivenciaram a realidade são-tomense, as dificuldades e peripécias que acompanham a par e passo qualquer assunto burocrático que envolva papelada.

Pois bem, com tudo isto quero contar-vos a história da minha licença de motociclo. Sim, é verdade, eu não tinha licença de motociclo e, em boa verdade, só a tenho desde quinta-feira. Ou seja, contas feitas por alto, tratar do documento demorou-me cerca de dois meses.

Tendo a carta de condução portuguesa só é preciso realizar um exame de condução. Claro que é necessário realizar um pedido de licença de motociclo. Eis a receita: escreve-se uma declaração, compram-se os selos fiscais, vai-se reconhecer a assinatura no cartório, dirigimo-nos à Direcção de Transportes, lá dizem-nos que temos que ir reconhecer a fotocópia da carta de condução que, por acaso, está mesmo à frente do seu nariz, voltamos ao cartório onde, por momentos, julgávamos ir sofrer de fortes problemas de desidratação, lá conseguimos por fim o reconhecimento da fotocópia e entregamos o pedido. Com tudo isto perdemos pouco mais de uma semana visto que, é verdade, trabalhamos, ainda não temos o velocípede para dar estas voltas todas e os horários das repartições públicas são extremamente similares ao da secretaria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra!

Falta-nos, como é óbvio, a parte do exame. Este realiza-se uma vez por semana. Dirijo-me ao local e, claro está, o exame foi anulado. Volto na semana seguinte e, surpresa, não há exame novamente. Perco a minha postura zen, rodo a minha baiana, e lá consigo uma guia de circulação para um mês.

O exame foi finalmente marcado para esta última quinta-feira. Começando às oito da manhã os exames, apareço às oito e meia. O meu exame começa, exactamente, duas horas depois. Pego na minha amarelinha e começo a treinar oitos. Eis a conversa que se segue, mais palavra menos palavra:

Examinador: O seu capacete?

Mr. Lekker: Esqueci-me de o trazer ( mentira descarada).

Examinador: Não lhe posso fazer o exame. É obrigatório fazer o exame com capacete.

Mr. Lekker: Não fazia a mais pequena ideia que era necessário capacete para fazer exame (esta parte é realmente verdade). Mas então por que razão ninguém nesta ilha usa capacete?!? (Tom de voz algo irritado e, quiçá, impertinente...)

Examinador: Volte amanhã às oito e traga o capacete.

(Pego na mota, bufando e consciente do filme que me esperava no dia seguinte, e dirijo-me para a porta da Direcção de Transportes para solicitar uma justificação de falta. Ou seja, um percurso de cerca de 10 metros no qual ultrapasso o examinador).

Examinador: Vejo que já sabes andar com isso por isso vou despachar isto.

Mr. Lekker: (Incrédulo e não totalmente seguro de ter entendido bem) Então e o exame amanhã?

Examinador: Não vale a pena porque a falta de informação dos requisitos para fazer o exame não é tua e como já te vi a andar na mota vou dar seguimento ao processo.


Concluindo e resumindo, tive que tratar de um saco de papelada para poder fazer o exame, andei quase um mês com o motociclo sem ninguém fazer a mais pequena ideia se eu o sabia conduzir ou não e, por fim, quando vou demonstrar finalmente o meu enorme potencial motoqueiro, passo no exame depois de fazer um percurso de cinco segundos.

E esta, hem?!? Pelo menos deu azo ao maior post escrito neste blogue até ao momento!!!

4 comentários:

Woman Once a Bird disse...

Vai ao mail, please. Preciso de algumas informações urgentemente.

Anónimo disse...

Grandes andanças... Essa amarelinha está a fazer de ti um homem bem rodado...

Carla

João disse...

lolol invrivel stor :D em 5 segundos fica aprovado :D

Anónimo disse...

... e será que me deixas dar uma voltinha!

Actriz com pouca ou menhuma experiência! Representa na banheira bailado clássico e canta ópera para assustar os vizinhos!!!! Gosta de comédias e sabe línguas... línguas de gato é a sua receita predilecta mas só encomendando na Suiça, porque isto de ser actriz é outra coisa!!!

Beijocas grandes
Marta